E essa tal maternidade?

11/12/2017 Iara Castro

Mãe. Mãe de um. Mãe de três. Mãe casada. Mãe solteira. Mãe “amigada, conjugada, juntada”. Mãe adolescente. Mãe com idade avançada. Mãe viúva. Mãe. Mãe que trabalha fora. Mãe que trabalha dentro. Mães que trabalham. Sempre trabalham. Mãe tranquila, na paz, relaxada. Mãe preocupada, ansiosa, tensa. Mãe despojada, engajada, antenada. Mãe analisada, “psicologizada”. Mãe com cabelos brancos. Mãe loira, ruiva, morena. Mãe careca. Mãe cansada. Mãe que ama. Mãe que questiona. Mãe que sente saudade do estado não-mãe. Mãe que não sente. Mãe que não fala. Mãe que divide, partilha, pede ajuda. Mãe formiguinha. Mãe que carrega, arrasta. Mãe que se agrupa, compartilha, estende a mão. Mãe que se isola. Mãe.

Poderia passar horas escrevendo, buscando referências para essas mães. Mães são mulheres, são humanas e todos os adjetivos antes destinados a essas pessoas podem ser mantidos nesse novo papel, nessa nova faceta. Afinal, a maternidade muitas vezes pode ser vista assim, como um novo papel que assumimos em nossas vidas, como uma nova etapa que nos abrimos para viver, conquistar, conhecer. Podemos sonhar e nos preparar para iniciar a caminhada. Mas também podemos nos encontrar ali, no meio do caminho, e agora? Nessa nova jornada, podemos manter algumas insígnias anteriores, costuradas no peito, brilhando, reluzindo: sou assim, gosto disso, faço assim... Ou podemos ir “perdendo” algumas pelo caminho, deixando cair... Ao mesmo tempo em que podemos encontrar novas marcas a cada passo dado e com orgulho, colocá-las em lugar de destaque – afinal, redescobrir algumas vezes pode ser ainda mais gostoso!

Quando volto no primeiro parágrafo, me vejo em várias mães. Na verdade, me vejo em várias mães o tempo todo. No consultório, nas famílias que atendo, na minha vizinha, nas minhas amigas (casadas, solteiras, com filhos, sem filhos). Vejo-me na dona da banca aqui na esquina de casa. E na velhinha que está tranquila, regando o jardim, quando saio louca para o trabalho. Vejo-me na mãe que lida com a “crise” do filho no shopping, com os gritos, com as lágrimas. E me vejo na mãe que chora às vezes no chuveiro. Vejo-me na mãe brincando, sorrindo, inteira na pracinha. E na mulher que se senta sozinha no cinema e desfruta de 1 hora só para si. Vejo-me egoísta. Vejo-me solidária. Vejo-me inteira e me vejo partida. Ao me ver, tenho vontade de me aproximar, de cada uma delas. Aproximar-me de vocês. Estender a mão... 

A intenção desse texto é evindenciar que existe um pouco de cada mãe em nós. Da mesma forma, que existe um pouco de cada mulher, de cada cuidador. Por esse motivo, convido aqueles que se abrem e que gostam de partilhar, refletir, trocar, a visitar esse nosso espaço. A intenção é justamente essa - falar de si, falar de mãe, falar de mulher, falar de cuidador, falar de família e filhos! Minha intenção é aproximar.

Sejam bem vindos à COMATERNAR - Maternidade Consciente! Esse é o nosso objetivo! E consciência se alcança assim – você tem um minuto? Então vamos lá!